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A Arlequim Technologies é destaque no livro Paraná — Grandes Marcas — Volume II, projeto do Grupo AMANHÃ.
O livro reúne empresas que representam a identidade empreendedora do Paraná. Cada empresa está presente na publicação com um estudo de caso com quatro páginas, além de um vídeo institucional a ser veiculado ao longo do ano. O projeto é multiplataforma: um livro físico, versão digital e conteúdo audiovisual que será veiculado ao longo do ano. O lançamento foi realizado no dia 19 de março, em Curitiba.
Participar da publicação foi um convite a refletir sobre o caminho percorrido desde a fundação da empresa até agora.
A trajetória da Arlequim começou em Curitiba no meio da pandemia de COVID-19. O momento era caótico, mas as limitações tecnológicas para dar continuidade a atividades profissionais e no sistema de ensino ficaram evidentes. Empresas precisavam migrar para trabalho remoto da noite para o dia. Escolas públicas tentavam manter aulas online com infraestrutura precária. A demanda por soluções de digitalização explodiu.
Enxergamos a janela de oportunidade para comercializar computadores como serviço — Desktop as a Service (DaaS): computação virtualizada que permite acesso a recursos de alto desempenho sem depender de hardware físico caro. A ideia não era nova, mas o mercado brasileiro, especialmente para pequenas e médias empresas e setor público, permanecia mal atendido.
Decidimos construir uma solução focada em democratizar o acesso à melhor experiência digital. Que não estivesse restrita clientes com condição de manter estruturas complexas formadas por servidores de última geração, mas para toda empresa carente de ter presença digital de qualidade. E especialmente para escolas públicas que historicamente ficam para trás quando o assunto é infraestrutura tecnológica.
A Arlequim se tornou referência em virtualização computacional na América Latina. Fornecemos desktops virtualizados que rodam na nuvem, permitindo que organizações acessem poder de processamento avançado através de dispositivos simples.
O modelo resolve problemas práticos. Empresas evitam investimento pesado em hardware que fica obsoleto rapidamente. Escolas conseguem oferecer experiências digitais modernas mantendo o uso dos dispositivos disponíveis em seu ambiente, independentemente de suas condições ou ano de fabricação. Equipes remotas acessam ambientes de trabalho seguros de qualquer lugar.
Mas tecnologia é meio, não fim. O que importa é o impacto: empresas competindo em condições mais equilibradas, estudantes acessando ferramentas que antes estavam fora do alcance, organizações reduzindo desperdício eletrônico. Tudo isso fortalece os fundamentos para uma sociedade mais justa e igualitária.
Virtualização tem um benefício ambiental prático. Dispositivos duram mais quando o processamento pesado acontece na nuvem em vez de no hardware local. Empresas trocam computadores com menos frequência. Recursos são compartilhados e otimizados em vez de ficarem ociosos.
Levamos governança e sustentabilidade a sério. Temos certificações ISO 27001 (segurança da informação), ISO 27701 (privacidade/LGPD), ISO 14001 (gestão ambiental), ISO 9001 (qualidade), e ISO 42001 (inteligência artificial). Também carregamos o Selo GHG Protocol e o Selo Clima Paraná.
Esses selos representam processos auditados, compromissos mensuráveis, transparência operacional.
O Paraná tem tradição industrial forte e a sua transformação em hub tecnológico está em processo de construção. Curitiba concentra startups, universidades de qualidade, e um ecossistema empreendedor crescente.
Empresas de tecnologia paranaenses competem nacionalmente e internacionalmente. Fazemos parte de um movimento maior de descentralização da inovação brasileira para além do eixo São Paulo-Rio.
O livro Paraná — Grandes Marcas documenta essa transformação. Mostra empresas construindo soluções relevantes, gerando empregos qualificados, exportando conhecimento. O projeto captura o momento histórico específico do desenvolvimento econômico do estado.
Computação em nuvem e virtualização vão continuar transformando como empresas e instituições operam. Inteligência artificial está aumentando demanda por poder computacional. Modelos híbridos de trabalho exigem infraestrutura flexível.
Esses movimentos favorecem o modelo que construímos. Mas oportunidades de mercado não garantem sucesso.
Para a Arlequim, o desafio é escalar sem perder foco. Crescer preservando qualidade de serviço. Expandir mantendo compromissos com sustentabilidade e impacto social. Continuar sendo empresa paranaense que contribui para posicionar o estado e o país como protagonistas da nova economia digital.
O lançamento do livro marcou a celebração coletiva das empresas paranaenses. Reunidas, as empresas presentes na publicação representam a construção do futuro do Paraná por meio de inovação, trabalho, comprometimento e visão de longo prazo.
Haroldo Jacobovicz, empreendedor e empresário

Jeff Bezos visitou uma cervejaria de 300 anos em Luxemburgo. O museu da empresa exibia um gerador elétrico de 100 anos — construído quando a eletricidade tinha acabado de ser inventada e não existia rede elétrica. “Olhei para aquilo e pensei: é assim que funciona a computação hoje, todo mundo tem seu próprio data center,” disse Bezos. “E isso não vai durar. Não faz sentido. Você vai comprar poder computacional. Isso é a AWS.”
A comparação faz sentido. Quando a rede elétrica se tornou confiável, manter gerador próprio virou desperdício. Bezos espera que a computação siga o mesmo caminho.
O mercado brasileiro de computação em nuvem movimentou US$ 18,1 bilhões em 2025 e pode chegar a US$ 86,6 bilhões até 2034, crescendo 19% ao ano. Na América Latina, o mercado pode saltar de US$ 55,21 bilhões em 2025 para US$ 113,23 bilhões em 2030.
Esses números refletem uma mudança real no comportamento das empresas. Em mais de três décadas atuando no setor, testemunhei transformações tecnológicas acontecerem quando fazem sentido financeiro, não quando ficam bonitas em apresentações.
Empresas brasileiras enfrentam custos crescentes de hardware. A demanda por memória RAM para inteligência artificial está provocando escassez que deve durar bastante tempo, empurrando os preços de computadores para cima. Nesse cenário, contratar poder computacional como serviço deixa de ser um luxo e vira uma necessidade.
A grande vantagem dessa mudança não é só custo. É acesso.
Uma startup em Curitiba pode ter a mesma capacidade computacional que uma multinacional em São Paulo sem precisar investir milhões em infraestrutura. Uma escola pública pode oferecer aos alunos experiências de computação de alto desempenho que antes eram impossíveis.
Vi isso acontecer com telecomunicações nos anos 1990. Quando fundei minha empresa de leasing de computadores, o problema era sempre o mesmo: empresas queriam tecnologia moderna, mas não tinham orçamento para comprar e manter os equipamentos atualizados. Criamos modelos de contrato por tempo determinado e a garantia da substituição por novas máquinas a cada ciclo. Décadas depois, o princípio é o mesmo — agora com uma nova tecnologia, de virtualização de computadores.
Quando fundei a Arlequim Technologies em 2021, apostamos exatamente nessa transição. Não vendemos computadores. Oferecemos poder computacional como serviço.
Empresas, órgãos públicos e consumidores finais podem acessar máquinas virtuais de alto desempenho sem se preocupar com hardware, manutenção ou obsolescência. É computação virando utilidade e não mais propriedade.
Países com infraestrutura física limitada se beneficiam mais de soluções em nuvem. É mais fácil expandir conectividade que construir data centers em cada cidade.
Essa transição altera três coisas fundamentais.
Primeiro, empresas param de amarrar capital em ativos que depreciam rápido. Um servidor que vale R$ 50 mil hoje pode valer metade disso em dois anos. Contratar computação sob demanda elimina esse risco.
Segundo, a escalabilidade fica real. Sua empresa precisa processar 10 vezes mais dados em dezembro? Contrata capacidade adicional por um mês. Em janeiro, volta ao normal. Simples assim.
Terceiro, o foco volta para o que importa. Equipes de TI param de se preocupar com hardware e se concentram em desenvolver soluções que agreguem valor ao negócio.
O modelo que Bezos descreve não é especulação. É realidade operacional para empresas brasileiras hoje.
A Arlequim atende desde pequenas empresas até grandes corporações e setores públicos com soluções de virtualização que eliminam a necessidade de investimento pesado em infraestrutura. O modelo funciona porque combina eficiência de custos com flexibilidade operacional.
Ao longo da minha trajetória em tecnologia pude constatar que o futuro não chega de repente. Ele vai se instalando aos poucos, empresa por empresa, decisão por decisão. Quem percebe isso cedo sai na frente.
O futuro previsto por Bezos já começou. A pergunta não é mais se vai acontecer, mas quanto tempo sua empresa vai levar para se adaptar.
Haroldo Jacobovicz, empreendedor e empresário

Ao longo da minha carreira construindo empresas de tecnologia, sempre foquei na composição de equipes como vantagem competitiva. A diversidade de idade aparece consistentemente como um dos ativos mais subutilizados no mercado brasileiro.
Times dominados por recém-formados frequentemente carecem de experiência que previne erros caros. Times compostos inteiramente por veteranos podem perder mudanças emergentes de mercado. A abordagem ideal combina ambas as perspectivas.
Profissionais mais jovens manjam de tecnologia nova. Testam ferramentas antes de todo mundo, adaptam rápido, não têm medo de experimentar. Isso acelera inovação porque eles simplesmente vão lá e tentam.
Pessoal mais experiente traz algo que não tem como substituir: memória. Eles já viram três ciclos de tecnologia dar errado. Sabem identificar quando problema parece novo mas é o mesmo de sempre com roupa diferente. Essa capacidade de reconhecer padrões economiza meses de tentativa e erro.
E tem o pessoal no meio da carreira, que geralmente funciona como ponte. Entende as tecnologias novas mas tem contexto estratégico suficiente para saber quando aplicar e quando esperar.
Pesquisas mostram o impacto disso na prática. Organizações que montam times multigeracionais de propósito têm produtividade melhor, inovam mais rápido e mantêm gente engajada por mais tempo. Empresas com compromisso real em diversidade — idade entra nisso — têm 35% mais chance de superar a média do setor financeiramente.
Mas não é automático. Simplesmente juntar gente de idades diferentes não resolve nada. Vi equipes multigeracionais travarem completamente porque ninguém soube gerenciar as diferenças de estilo.
A chave está em criar espaço para diferentes estilos de trabalho conviverem.
Os Baby Boomers frequentemente preferem reuniões presenciais para alinhar estratégias. Gen Z tipicamente rende mais com calls rápidos de 15 minutos. Millennials trabalham bem com mensagens no Slack. Gen X valoriza o horário pessoal definido.
Nenhum jeito está errado. São preferências diferentes que podem funcionar juntas — desde que empresas ofereçam múltiplos canais de comunicação.
Organizações efetivas usam e-mail para decisões formais, Slack para trocas rápidas, reuniões presenciais para tópicos complexos e videoconferências para alinhamento remoto. Cada pessoa encontra o que funciona melhor, mas todo mundo precisa responder de alguma forma.
Flexibilidade de horário e local também ajuda. Algumas pessoas rendem mais trabalhando de casa e começando mais cedo. Outras preferem o escritório com time por perto. Muitas gostam de misturar — três dias presencial, dois remotos.
Enquanto o trabalho é feito, o formato importa menos.
O mercado brasileiro está envelhecendo. A força de trabalho de 2030 será mais diversa e mais velha. Organizações que descobrem como gerenciar múltiplas gerações agora terão vantagens claras conforme essas mudanças demográficas aceleram.
A solução é direta: pare de filtrar candidatos por idade e monte times ao redor de capacidades complementares.
Haroldo Jacobovicz, empreendedor e empresário

Não existe receita pronta em gestão empresarial. O que funciona em São Paulo pode falhar em Curitiba. O que dá certo numa startup não serve para uma multinacional. Aquilo que funcionou na década de 1960, hoje não faz sentido.
Mas alguns princípios atravessam fronteiras geográficas e de tempo. Em 2025, passei férias no Japão e tive vários insights em relação ao mundo corporativo ao visitar algumas cidades do país. Observar como empresas japonesas operam é uma fonte de inspiração. Os japoneses sabem construir sistemas que não colapsam com o crescimento, conseguem manter qualidade sem sacrificar velocidade, são especialistas em manter o engajamento de colaboradores e a fidelidade de clientes.
O Brasil tem 1,9 milhão de pessoas de ascendência japonesa, a maior população nikkei fora do Japão. Então já conhecemos bastante dessa cultura, mas quando você vai até o outro lado do planeja e conhece de perto a cultura nipônica, percebe que ainda há muito a aprender.
O conceito japonês de “kaizen” virou jargão de consultor, aquele tipo de palavra que aparece em todo slide de apresentação de consultoria, mas sua proposta é realmente muito útil. A essência é simples: é preciso promover melhorias pequenas, consistentes e contínuas ao invés de esperar por reformulações dramáticas.
Kaizen significa buscar constantemente formas de melhorar processos de trabalho, não importa quão pequenas sejam as mudanças. Você evolui enquanto entrega, mantendo o time sempre atento a oportunidades de melhoria.
Empresas japonesas são experts em estabelecer ciclos nos quais funcionários satisfeitos geram clientes satisfeitos. Por consequência, o cliente satisfeito acaba consumindo mais produtos ou serviços da empresa, o que contribui para o resultado, gerando mais valor para os acionistas. Todo mundo cresce quando o foco é no longo prazo em vez de picos trimestrais.
Passei anos construindo empresas de tecnologia e telecomunicações. E, mesmo com os temas técnicos sendo muito relevantes neste segmento, aprendi que um problema de comunicação custa mais caro que um problema técnico. Muito mais.
Falha no alinhamento gera retrabalho, conflito, perda de oportunidades. Alguém toma uma decisão sem ter a informação completa. Outra pessoa resolve um problema que já estava resolvido há dias. Um terceiro colaborador descobre tarde demais que deveria ter sido consultado. No Brasil, em especial, os ruídos de comunicação são comuns, pois aqui, culturalmente, questões delicadas costumam ser abordadas de forma indireta, com pouca objetividade, o que deixa margem a interpretações equivocadas. Nesse assunto, temos muito a aprender com os japoneses.
Eles têm um sistema estruturado para fazer a comunicação fluir com pouco ou nenhum ruído. Chamam de “hourensou”, que reúne três palavras: reportar, informar, consultar. É uma prática que enfatiza transparência e comunicação regular entre membros da equipe. Não é microgerenciamento. É garantia de que a informação seja transmitida no momento necessário.
Com muita frequência, empresas costumam oscilar entre extremos. Ou fazem reuniões longas que não resolvem nada, ou ficam em silêncio total até uma crise estourar. A abordagem estruturada dos japoneses propõe o meio-termo: canais definidos, expectativas claras, comunicação proporcional à necessidade.
O mercado brasileiro é ansioso — pressiona para que a entrega aconteça ontem. O investidor quer retorno imediato. O cliente troca de fornecedor na primeira insatisfação. E o resultado trimestral vira obsessão.
Mas sucesso vem de trabalho sustentado, não de um grande avanço pontual. A cultura japonesa valoriza a perseverança, eles chamam isso de “gambari”. E tem outro conceito do qual gosto muito: “genchi genbutsu”, que significa “vá ver com seus próprios olhos.”
Líderes não tomam decisão baseados só em relatório.
Japoneses têm uma palavra específica para hospitalidade: “omotenashi”. Significa tratar os outros com respeito genuíno e atenção aos detalhes. Este conceito, quando aplicado aos negócios significa cuidar do cliente, do fornecedor e do funcionário com mesmo nível de consideração.
Os alicerces da minha carreira foram construídos com base em relacionamentos sólidos. Parcerias seladas com apertos de mão, olho no olho e confiança. Fornecedores escolhidos por indicações pessoais, além de processos de concorrência. Funcionários promovidos pela lealdade demonstrada.
O tempo mostrou que relacionamentos duradouros são mais recorrentes quando existe uma combinação entre confiança pessoal e processos transparentes. Empresas capazes de evidenciar ao mercado seu cuidado genuíno com a experiência de todos os stakeholders conseguem conquistar a admiração e a fidelidade do cliente que nenhuma campanha de marketing consegue entregar.
Isso vale tanto para reter talentos quanto para manter clientes no longo prazo.
Não se trata de transformar empresas brasileiras em versões de corporações japonesas.
Brasileiros valorizam flexibilidade, criatividade, relacionamentos pessoais próximos que podem ser comprometidos dentro de sistemas organizacionais rígidos. Nossa força está na adaptabilidade e na resiliência, em conseguir improvisar quando necessário, em construir conexões humanas genuínas, vínculos fortes.
O caminho é buscar inspiração naquilo que mais funciona na cultura nipônica e adaptar à nossa realidade: estruturar comunicação sem engessar, buscar melhoria contínua sem exigir perfeição imediata, valorizar longo prazo sem ignorar necessidades de curto prazo, respeitar processos sem criar burocracia paralisante.
Alguns CEOs de potenciais globais como Google, Intel e OpenAI visitaram Tóquio recentemente e foram unânimes em reconhecer que o mundo corporativo ocidental tem muito a aprender com as lideranças japonesas.
Empresas brasileiras de todos os setores de atuação que conseguirem traduzir e aplicar essas práticas em suas estruturas podem ganhar ferramentas valiosas para enfrentar desafios corporativos da atualidade.
Haroldo Jacobovicz, empreendedor e empresário

Todos os anos no mês de dezembro, vejo empresas correndo para definir o que fazer com suas verbas de incentivo fiscal. Elas têm conhecimento desses recursos o ano todo, mas deixam para tomar a decisão na última hora. O resultado é que muitas vezes acabam não aplicando o recurso ou investem em projetos bem estruturados deixando de prestigiar iniciativas menos consolidadas, mas com grande potencial de fazer diferença na sociedade e que enfrentam dificuldade em conseguir apoio.
O problema não é falta de recursos, mas falta de entendimento sobre como esses mecanismos funcionam e como podem gerar impacto quando bem utilizados.
Incentivos fiscais não envolvem qualquer desembolso extra. São recursos que sua empresa vai pagar ao declarar o imposto de renda. A diferença é que você pode direcionar parte desse valor para projetos aprovados pelo governo, em vez de simplesmente depositar tudo no Tesouro.
Isso vale para empresas e para contribuintes individuais. A Lei Rouanet permite que pessoas físicas deduzam até 6% do IR devido e empresas até 4% para projetos culturais. Pesquisa da FGV mostra que cada R$ 1 investido através da Rouanet movimenta R$ 1,59 na cadeia produtiva cultural.
No total, as empresas podem deduzir até 10% do valor devido e direcionar para causas sociais. Na frente esportiva, as empresas podem deduzir até 2% do IR devido para fomentar práticas esportivas, financiar projetos de construção, reforma e eventos esportivos aprovados pelo Ministério do Esporte. A partir deste ano, esse percentual pode ser dividido com o apoio a projetos que promovem a economia circular. São ações voltadas a reduzir a geração de resíduos, ampliar o uso de materiais reciclados, contribuindo para a sustentabilidade e inclusão social.
Existem outras leis, todas passíveis de receber até 1% do IR devido: FIA (infância e adolescência), Pronon (oncologia), Pronas (pessoas com deficiência) e programas de apoio à saúde e qualidade de vida dos idosos. Cada uma tem suas regras, mas o princípio é o mesmo: você escolhe onde seu imposto será alocado para viabilizar um projeto de cunho social.
Vi três erros recorrentes ao longo dos anos.
Muita empresa trata o incentivo como questão puramente tributária. Deixa tudo com o contador, que decide em dezembro onde alocar recursos baseados em disponibilidade, não em estratégia. Resultado: o valor vai para qualquer projeto aprovado, sem critério nenhum relacionado aos valores e posicionamento da empresa.
Outras escolhem o caminho mais fácil. Apoiam iniciativas que já têm visibilidade e são consolidadas no mercado pois acontecem há muitos anos. Dessa forma, acabam ignorando proponentes com propostas inovadoras e de grande potencial para gerar resultados sociais, mas ainda sem histórico e com menos experiência na captação de recursos.
Soma-se a isso a questão do timing. Algumas empresas lembram apenas em dezembro que têm verba disponível e correm para definir como direcionar os valores, sem tempo de analisar projetos e avaliar aderência com seu negócio. Perdem a chance de planejar impacto de longo prazo, de definir uma linha de atuação que faça sentido com sua cultura organizacional e proposta de valor.
A Lei Rouanet atingiu captação recorde de quase R$ 3 bilhões em 2024, aumento de 26% em relação ao ano anterior. Isso mostra a escala de recursos que fluem a partir dos mecanismos de incentivo fiscal.
Mesmo assim, a maior parte das empresas ainda deixa de fazer uso deste e dos outros incentivos disponíveis, não só na esfera federal, mas também na estadual e municipal, que é própria de cada estado e município.
Todos os envolvidos acabam perdendo com isso. Empresas perdem a chance de estruturar frentes de responsabilidade social consistentes. Projetos valiosos não conseguem ser executados. E o próprio sistema fica vulnerável a críticas sobre a concentração de benefícios em projetos envolvendo artistas renomados.
Comece a planejar no primeiro semestre, não somente em dezembro. Identifique recursos disponíveis com antecedência suficiente para escolher projetos alinhados com seus valores corporativos.
Estabeleça critérios claros de seleção. Pode ser foco geográfico, tipo de beneficiário, área temática: o que importa é ter direcionamento claro.
Construa relacionamentos de longo prazo com as organizações apoiadas. Investimento pontual gera resultado limitado. Já o apoio contínuo permite acompanhar a evolução, crescer juntos e ajustar estratégias.
Incentivos fiscais existem porque o governo reconhece que iniciativa privada consegue identificar, acompanhar e apoiar projetos com uma agilidade que a estrutura pública muitas vezes não tem. Empresas que entendem isso conseguem utilizar a obrigação tributária como ferramenta de transformação e desenvolvimento social.
É claro, trata-se de uma oportunidade que exige dedicação e comprometimento. Como já dizia o herói dos quadrinhos: “Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”. Aproveitar bem essa combinação pode fazer diferença para as comunidades na região onde a sua empresa atua e ainda fortalecer a percepção positiva da sua marca. O ano está começando! Aproveite para olhar para esse tema desde já.
Haroldo Jacobovicz, empreendedor e empresário

Todo dezembro, a maioria das empresas está finalizando a elaboração dos planos para o próximo ano, muitas vezes, sem digerir direito o que o ano atual ensinou. Essa abordagem traz custos reais embutidos.
Ao longo de três décadas construindo empresas de tecnologia, aprendi que reflexão não é luxo — é fundamento. Empresas que deixam de fazer uma revisão sistemática dos ciclos anteriores entram em novos ciclos repetindo as mesmas ineficiências, desperdiçando recursos em iniciativas que já falharam, perdendo novamente o timing que uma análise cuidadosa preveniria. O padrão é consistente: organizações que tratam o passado como descartável raramente constroem futuros sustentáveis.
Aprendi que uma boa revisão anual responde a três coisas específicas, e nenhuma delas envolve planilhas complicadas.
O que funcionou e por quê? Sucesso frequentemente vem de capacidades específicas: um processo de vendas que converteu melhor, uma solução técnica que reduziu tickets de suporte em 40%, uma estrutura de parceria que alinhou incentivos corretamente. Identificar a mecânica por trás de resultados positivos permite a reprodução intencional do caminho em vez de torcer para o raio cair duas vezes no mesmo lugar. Reconhecer padrões vai além de contar com a sorte.
O que falhou e o que isso revela? Pesquisas da Harvard Business School mostram que feedback narrativo a funcionários frequentemente tem impacto maior que avaliações numéricas. Mas feedback sem contexto vira apenas elogio vazio. Entender onde erramos mostra gaps de execução, timing ruim ou premissas equivocadas sobre mercado. Falhas bem analisadas ensinam mais que sucessos mal compreendidos.
Quais capacidades desenvolvemos sem perceber? Ao longo do ano, times aprendem coisas que não estavam no planejamento original. Processos melhoram, pessoas crescem, conexões se fortalecem. Mapear esse desenvolvimento revela o capital intangível que a empresa construiu, e reconhecê-lo contribui para que seja preservado no próximo ciclo.
Esperar até dezembro deixa as lições esfriarem. Mesmo assim, o fim do ano tem peso diferente. É quando conectamos os pontos que pareciam isolados ao longo dos meses.
Líderes que incorporam revisões sistemáticas tomam decisões mais rápidas porque já processaram cenários parecidos antes. Têm clareza sobre os recursos disponíveis. Sabem quais apostas funcionaram no passado e aquelas que nunca deram certo.
A pesquisa global sobre IA de 2024 da McKinsey descobriu que 65% das organizações estavam usando regularmente IA generativa em pelo menos uma função de negócios, com muitas relatando economia de custos ou aumento de receitas. Mas esse dado sozinho não vale nada. O que importa é entender como essas implementações foram feitas, quais processos mudaram, que resistências apareceram.
Reflexão estruturada cria memória organizacional.
Análise SWOT continua relevante quando feita com honestidade. É uma reflexão que força gestores a olharem fatores internos e externos sem romantizar capacidades nem ignorar ameaças reais.
Já a revisão de KPIs mostra se você mediu as coisas certas. Muitas empresas perseguem métricas de vaidade enquanto indicadores críticos ficam sem acompanhamento. Comparar metas estabelecidas no início do ano com os resultados reais revela onde expectativas estavam fora da realidade, e por quê.
Conversas individuais com líderes de área revelam percepções que as planilhas não capturam. Clima organizacional, gargalos operacionais, oportunidades perdidas: são informações que aparecem em diálogos diretos, não em dashboards automatizados.
O ano que se aproxima trará desafios próprios. Mas a capacidade de navegá-los bem depende diretamente de quanto aprendemos com 2024 e 2025. Times que sabem documentar sucessos conseguem escalá-los. Líderes que entendem fracassos evitam repeti-los.
Reflexão não é sobre viver no passado. É sobre construir uma fundação mais sólida para o futuro, entender padrões, reconhecer capacidades desenvolvidas, identificar onde investir energia nos próximos doze meses.
Na minha trajetória desde a Microsystem, primeira empresa que fundei quando ainda estava na faculdade, até a Arlequim, identifiquei nas empresas que fazem bem essa revisão mais êxito no próximo ciclo do que aquelas que simplesmente viram a página. A diferença entre crescimento sustentável e vaivém constante está nessa prática simples: parar, olhar o que aconteceu, extrair lições, aplicar aprendizados.
Dezembro oferece essa oportunidade. Vale a pena aproveitá-la da melhor forma!
Haroldo Jacobovicz, empreendedor e empresário

Quando conectamos tecnologias com propósito é possível construir negócios que, além de resultados financeiros, contribuem com o desenvolvimento social. Empreendimentos sustentáveis endereçam questões urgentes para a sociedade. Timing, recursos e inovação importam, mas criar valor genuíno no longo prazo para comunidades também.
A tecnologia com propósito soma resultados a temas sociais. Seu objetivo é expandir oportunidades e criar negócios bem-sucedidos que atendam necessidades genuínas.
Considere o setor educacional. Relatório da McKinsey de 2024 descobriu que sete em cada dez estudantes em países de baixa renda vivem em “pobreza de aprendizagem”, ou seja, ao final do Ensino Fundamental continuam incapazes de completar tarefas básicas como leitura e interpretação de texto. Com a melhoria da qualidade dos sistemas educacionais nessas localidades, atingindo patamares de desempenho mais altos, 350 milhões de estudantes poderiam sair deste quadro em 30 anos.
A tecnologia educacional e a aprendizagem baseada em jogos podem solucionar esse quadro pois atuam diretamente nas falhas mais comuns da educação tradicional. A tecnologia promove engajamento dos estudantes, além de fornecer feedback imediato, ajudando a identificar rapidamente gaps de aprendizagem, o que permite mais assertividade às escolas.
Jogos on-line criam experiências interativas que desenvolvem habilidades de resolução de problemas, geram conexões sociais e contribuem com a redução do estresse. Jovens de baixa renda podem ter formação como tecnólogos com base em jogos educacionais e experiências digitais imersivas.
São exemplos de soluções práticas, flexíveis e escaláveis de como enfrentar questões sociais no campo da educação. Empresas que atuam com o foco em jogos educativos conseguem aliar contribuição social ao sucesso comercial. Mas esses não são projetos de caridade; eles resolvem gaps críticos de aprendizagem ao mesmo tempo em que geram receita.
Infraestrutura para conectividade
Minha experiência construindo infraestrutura de telecomunicações me mostrou como o acesso digital pode transformar o cenário socioeconômico. No Brasil, aproximadamente 83% da população tem acesso à internet, sendo que 41% dos domicílios estão em áreas rurais e 89% em áreas urbanas.
A infraestrutura tecnológica forma um arcabouço nas localidades que recebem esse investimento. O acesso a serviços confiáveis de telecomunicações gera impactos de longo prazo na viabilização de novos negócios, nas condições favoráveis ao trabalho remoto e ao amplo consumo dos mais variados serviços digitais, desde plataformas de delivery até telemedicina.
Em vez de competir por clientes que já têm acesso, há oportunidade para empresas de infraestrutura atenderem nichos de mercado que permanecem à margem da evolução tecnológica devido à falta de insumos como internet rápida e alcance de sinal.
A rápida expansão do trabalho híbrido e remoto revelou novas necessidades em segurança digital, colaboração virtual e ferramentas de produtividade adequadas à mobilidade. Empresas que identificaram essas carências como potenciais negócios, conseguiram oferecer serviços críticos e garantir retorno.
Tecnologias mais recentes como IA continuarão a remodelar como trabalhamos, nos divertimos e nos relacionamos. Gradualmente, passamos a viver em ambientes cada vez mais conectados e automatizados. As empresas abertas a compreender como a inteligência artificial, as redes avançadas, a evolução da computação e aplicações digitais interagem serão capazes aproveitar melhor as oportunidades atuais e futuras.
Três fatores predizem quais mercados gerarão tanto lucro quanto impacto: populações mal atendidas com poder de compra crescente, convergência tecnológica que permite novas soluções e ambientes regulatórios que apoiam inovação.
A IA é o exemplo mais claro de inovação tecnológica gerando novas oportunidades de negócio. O Plano Nacional de IA aloca R$ 4 bilhões até 2028 para desenvolvimento de IA, com foco específico em educação, saúde e incremento de renda. Empresas que combinam IA com profundo conhecimento local de mercados desatendidos terão boas chantes de conseguir tanto apoio governamental como demanda de usuários.
A tecnologia em saúde desponta de forma similar. Durante a pandemia, consultas de telemedicina aumentaram drasticamente no Brasil, mas a maioria das plataformas não foi projetada para suportar a demanda por conectividade e enfrentar a falta de conhecimento da população com alfabetização digital limitada. Soluções capazes de resolver essas limitações no ramo da telemedicina com desenvolvimento de interfaces simples, funcionalidades offline, integração com agentes comunitários de saúde, entre outras, têm boas perspectivas de êxito.
O agronegócio representa outro nicho em expansão a partir da inovação tecnológica. O Brasil está posicionado como segundo maior exportador agrícola do mundo, mas muitos agricultores ainda adotam processos manuais para monitorar a produção e o acesso ao mercado. Agora empresas estão desenvolvendo sistemas de monitoramento das plantações, colheitas e logística de distribuição com IA. Com isso, o produtor rural só precisa de smartphones básicos e imagens de satélite para modernizar e melhorar o manejo de culturas.
A tecnologia cria valor duradouro quando empresas projetam soluções para atender necessidades reais ainda desatendidas, gerando tanto lucros quanto propósito.
O crescimento sustentável requer atenção constante e equilibrada, tanto em relação ao valor criado para os usuários como para métricas financeiras do negócio. Quando empresas focam em resolver problemas reais para pessoas que genuinamente precisam de soluções, o sucesso é inevitável.
Acredito que nos próximos dez anos as empresas que combinarem inovação tecnológica com profundo entendimento de públicos desatendidos serão bem-sucedidas. Seja com jogos educacionais operando em celulares básicos, IA aplicada à saúde ou à agricultura, as maiores oportunidades estão no ponto onde a tecnologia encontra necessidades humanas autênticas.

Ao fundar a Arlequim Technologies no final de 2021, a proposta foi fornecer computadores virtuais para resolver problemas que o hardware tradicional não solucionava. Depois de mais de três décadas desenvolvendo softwares e construindo infraestrutura de telecomunicações no Brasil, ficou claro, em especial durante a pandemia, que muitas empresas estavam reféns de um ciclo: comprar equipamentos caros, testemunhar sua depreciação, descartar e precisar substituir tudo alguns anos depois.
O Magic Quadrant 2025 da Gartner para Desktop as a Service acabou de dar peso a esta tese, com números que surpreendem até veteranos do setor. O custo total de propriedade de desktops virtuais na nuvem alcançou patamares menores do de laptops corporativos em diversos casos de uso. A virada aconteceu discretamente, mas as consequências mexem fundo na forma como empresas planejam gastos de TI.
A Gartner projeta que DaaS será economicamente viável para 95% dos trabalhadores até 2027, contra 40% em 2019. A mudança vem da associação entre três fatores: 1. os custos de infraestrutura na nuvem caíram, 2. os preços de laptops ficaram estáveis ou subiram, e 3. as despesas relacionadas à gestão do trabalho híbrido multiplicaram.
Quando você analisa o custo real de um laptop ao longo de três anos, os números mostram algo desconfortável: além do preço de compra, é preciso adicionar à conta o frete, a manutenção, os patches de segurança e a logística de descarte. Depois é preciso multiplica por centenas ou milhares de funcionários. Empresas que acreditam entender seus custos de hardware costumam subestimar o custo total, que inclui valores além da compra pontual do equipamento.
DaaS inverte essa lógica. As organizações pagam mensalidades que já incluem infraestrutura, manutenção, suporte técnico, atualizações de segurança e escalabilidade. A flexibilidade importa mais que o custo isolado em muitos casos. Precisa integrar 50 prestadores de serviço para um projeto de três meses? É só ativar 50 desktops virtuais e desativar quando acabar. Tente fazer isso com hardwares físicos e fique espantado com o prazo e o custo que vai consumir.
O mercado já reflete esse novo cálculo. A Gartner prevê gastos com DaaS subindo de US$ 4,3 bilhões em 2025 para US$ 6,0 bilhões até 2029, uma taxa de crescimento anual composta de 7,9%. A categoria, que passou anos como nicho; agora começa a se posicionar como padrão em infraestrutura de TI.
As empresas não estão trocando todo o parque de PCs da noite para o dia. A maioria começa implementando DaaS para casos de uso específicos: trabalhadores remotos, prestadores de serviço, equipes offshore, ambientes de alta segurança. A Gartner estima que 20% dos trabalhadores vão usar computadores na nuvem como ambiente principal de trabalho até 2027, o dobro dos 10% em 2019.
Segundo o estudo da Gartner, novas implantações estão quase exclusivamente usando DaaS, e implantações on-premises estão migrando para DaaS ou mudando para um plano de controle em nuvem.
A Microsoft domina o setor de acordo com a análise da Gartner, classificada como líder. AWS e Citrix também estão no quadrante de líderes, cada uma trazendo forças diferentes para implantações empresariais.
O comportamento da categoria sugere algo importante: DaaS funciona melhor quando empresas implementam de forma metódica, testando com grupos piloto antes de lançamentos mais amplos. A tecnologia amadureceu e a incidência de falhas caiu, mas a implementação ainda exige planejamento cuidadoso que considera variáveis como a estabilidade de internet necessária, latência e experiência do usuário.
Segundo levantamento da Credence Research, a América Latina responde por cerca de 5% da participação de mercado global de DaaS, com o Brasil liderando a adoção na região. Os números parecem pequenos comparados à fatia de 45% da América do Norte, mas as tendências de crescimento revelam outra história.
Empresas brasileiras enfrentam restrições que tornam o DaaS particularmente atraente. Importar hardware físico envolve tarifas, atrasos no frete e oscilações cambiais.
Conectividade, porém, continua sendo o gargalo prático. DaaS depende de internet banda larga estável — algo que não é realidade em todos os municípios brasileiros. Latência importa mais para desktops virtuais do que para outros serviços em nuvem. Uma conexão que funciona bem para e-mail e downloads pode fazer o trabalho do dia a dia parecer lento, com lacunas de tempo entre a digitação e o que aparece na tela.
A Arlequim fornece DaaS para apoiar as empresas brasileiras a lidar com as restrições do mercado nacional. Ao lado de parceiros estratégicos como Citrix, VMware, Omnissa, Microsoft, Fortinet e NVIDIA — de quem se tornou a primeira parceira brasileira a participar de atividades de Pesquisa e Desenvolvimento — , construiu uma arquitetura única que torna a utilização do DaaS simples e intuitiva por empresas de todos os tamanhos e segmentos de atuação.
A descoberta da Gartner de que DaaS custa menos que laptops marca um ponto de virada, não uma linha de chegada. A tecnologia atingiu viabilidade para adoção em massa; se as empresas realmente vão aderir depende de fatores além da pura economia. Isso envolve mudança de paradigma.
Organizações com força de trabalho geograficamente distribuída, alta rotatividade de funcionários ou necessidades frequentes de escalar são mais propensas a adotar essa modalidade. Para aquelas com quadros estáveis ou requisitos de hardware especializado pesam fatores diferentes, em que benefícios como gestão simplificada e segurança concorrem com custos de transição.
Os próximos dois anos vão comprovar se as projeções da Gartner se tornam realidade. Se 95% dos trabalhadores realmente puderem usar DaaS de forma econômica até 2027, isso pode remodelar orçamentos de TI corporativa e o relacionamento com fornecedores.
O mercado brasileiro pode até ficar atrás das médias globais, mas segue padrões similares. Melhorias de infraestrutura continuam acontecendo, a conectividade está em constante evolução e as empresas brasileiras estão cada vez mais experientes com serviços em nuvem. A questão não é se o mercado empresarial brasileiro vai adotar mais desktops virtuais, mas em que velocidade as barreiras práticas e culturais serão superadas para viabilizar sua adoção.
Por enquanto, a equação de custos mudou. Ainda vamos descobrir o que as empresas vão fazer com essa informação.
Haroldo Jacobovicz, empreendedor e empresário

Em outubro, o LinkedIn anunciou que a Arlequim Technologies está entre as dez empresas emergentes mais promissoras de Curitiba. A avaliação considerou dados do período entre julho de 2024 e junho de 2025: engajamento na plataforma, crescimento da equipe, interesse por vagas e capacidade de atrair talentos.
Fiquei feliz com o reconhecimento, claro. Mas o que realmente me interessou foi olhar as outras nove empresas da lista e perceber o quanto o ecossistema da cidade amadureceu desde que fundei a Arlequim, em 2021.
Curitiba tinha três unicórnios quando começamos — Ebanx, MadeiraMadeira e Olist. Unicórnios contam histórias raras enquanto esta lista do LinkedIn conta trajetórias de novos negócios que impulsionam inovações dentro de empresas de todos os setores.
A Driva automatiza vendas. A Autoconf gerencia concessionárias. A MarQ HR controla ponto eletrônico. A ST-One digitaliza fábricas. São empresas que resolvem problemas operacionais concretos de negócios brasileiros.
O foco está em B2B, infraestrutura, ferramentas que aumentam eficiência. Tecnologia aplicada a setores tradicionais que precisavam de atualização para ganharem competitividade.
A Loft estabeleceu equipes em Curitiba para atuar no setor imobiliário. A Trio oferece infraestrutura de pagamentos e Open Finance. A Embarca conecta o transporte rodoviário. A Market4u instalou mercados autônomos em mais de 2.200 condomínios pelo país.
São setores que geram bilhões em receita, mas historicamente dependiam de processos analógicos. Esta camada digital que faltava está sendo desenvolvida por empresa da lista Linkedin TOP Startups — Curitiba.
A Arlequim segue o mesmo padrão. Oferecemos infraestrutura de computadores virtuais (Desktop as a Servide) que permite a empresas acessar poder computacional na nuvem. Mais do que uma inovação “cool” para o consumidor final, é infraestrutura que resolve um problema concreto. Com a solução, as empresas conseguem otimizar a gestão da sua infraestrutura de TI, que ganha em segurança, atualização permanente, mobilidade, flexibilidade e escalabilidade sem investimentos massivos em hardware. Nosso time em Curitiba desde 2021 trabalhar para em tornar manter a disponibilidade dos computadores virtuais alocados em clientes empresariais e governamentais.
Curitiba tem mais de 600 startups e ocupa a terceira posição no Brasil segundo o Global Startup Ecosystem Index Report. A cidade ficou em 149º no ranking mundial.
Programas como Vale do Pinhão, iniciativas da Agência Curitiba de Desenvolvimento, e do Selo CSC Diamante em Ecossistema de Inovação apoiam a criação e o desenvolvimento de startups na capital paranaense, mas contratar talentos continua sendo um desafio para esclar.A base de talentos tech existe mas não é infinita.
Crescer de zero para nosso quadro atual de funcionários em quatro anos na Arlequim exigiu trazer gente de fora, investir pesado em treinamento interno, e competir com São Paulo por alguns perfis críticos. Outras empresas da lista enfrentam o mesmo desafio.
Mais de três décadas construindo empresas de tecnologia me ensinaram que ecossistemas maduros não dependem só de startups bem-sucedidas. Dependem de uma combinação de fatores como a presença de investidores-anjo locais, de executivos experientes que viram mentores, de infraestrutura financeira que permite crescimento sem precisar ir para São Paulo.
Curitiba tem as startups. Tem as políticas. Tem os unicórnios como prova de conceito. O que precisa agora é densidade — mais empresas chegando a 500, 1.000 funcionários, mais rodadas série B e C fechadas localmente, mais casos de sucesso que reinvestem no ecossistema.
A lista do LinkedIn documenta um momento. Dez empresas crescendo, contratando, atraindo talento. Cada uma resolvendo um problema real de um setor específico da economia brasileira.
Não é explosivo. É sólido. E talvez seja exatamente o que Curitiba precisa para construir algo duradouro.
Haroldo Jacobovicz, empreendedor e empresário

Quantas vezes você já ouviu afirmações como: “nosso produto não funciona; abandonei essa ferramenta depois de três meses; ou gastei uma fortuna nessa consultoria que não serviu pra nada”? São conversas que normalmente acontecem só no cafezinho, mas no Reddit elas ficam documentadas, pesquisáveis e muito honestas. Você já ouviu falar desta rede social? O nome faz referência a um trocadilho em inglês que significa “eu li sobre isso” — “read it”.
Dentro da plataforma, as comunidades, chamadas de “subreddits’, são recheadas de muito conteúdo e notícias a respeito de tudo: tecnologia, mercado de trabalho, ciência, filmes, livros, jogos eletrônicos e muito mais. Os usuários podem divulgar links, postagens, imagens e vídeos que recebem avaliações positivas ou negativas. Os conteúdos melhor avaliados ficam em destaque.
Para quem sabe procurar, é inteligência competitiva gratuita que muitas pesquisas pagas não conseguem capturar.
Reddit ocupa uma posição única no ecossistema digital. É o 9º site mais visitado globalmente, mas seu funcionamento é diferente das outras redes sociais. Pessoas usam pseudônimos. Sem foco em networking. Sem objetivo de vender. Só conversar abertamente.
O resultado é uma transparência sem precedentes. CTOs admitem que não dominam determinados códigos abertos. Empreendedores relatam seus piores fracassos. Desenvolvedores explicam por que abandonaram algumas tecnologias. Informações que jamais apareceriam num post de LinkedIn ou numa pesquisa estruturada.
Procurando bem, é possível encontrar discussões técnicas que revelam problemas reais da indústria. Quais fornecedores realmente entregam o que prometem. Que tecnologias são modismo e quais vieram para ficar.
Subreddits brasileiros discutem desafios específicos do nosso mercado que executivos internacionais nem imaginam. Encontrei threads detalhadas sobre dificuldades com nota fiscal eletrônica que nenhum consultor mencionaria em reunião oficial. Relatos detalhados de processo burocráticos que impactam no desenvolvimento de produtos.
r/investimentos discute desde ações até fundos imobiliários com nível de detalhe que surpreende. r/brasil_drama documenta problemas de gestão em empresas conhecidas. r/brdev reúne desenvolvedores compartilhando forma de remuneração, opinião sobre as chefias, comparação entre ferramentas.
São dados qualitativos impossíveis de conseguir por outros meios. Ninguém vai admitir em uma pesquisa oficial que a ferramenta X trava toda segunda-feira ou que o fornecedor Y cobra 30% a mais quando o cliente é brasileiro.
Vale destacar alguém do time par aficar de olho no feedback das comunidades online que funcionam como termômetro do mercado. Não substitui pesquisa estruturada, mas pode revelar revela o que pesquisas escondem por diplomacia ou viés de interpretação.
Monitorar discussões sobre concorrentes, parceiros, tendências tecnológicas é como ter acesso às conversas de corredor de dezenas de empresas simultaneamente.
Para executivos acostumados com relatórios otimistas e reuniões cordiais, Reddit é choque de realidade. Mas é exatamente aí que está o seu valor, ao colocar luz em verdades inconvenientes que muitas vezes não chegam até os tomadores de decisão.
Haroldo Jacobovicz, empreendedor e empresário